fonte: http://lucianacristina.wordpress.com/2010/08/22/conhece-os-telecentros-uol-tecnologia-mostra-como-eles-funcionam-em-sp/

Para o adolescente que xaveca uma menina, ele é apenas um meio para tentar se aproximar dela – seja por meio de “scraps” no Orkut ou mensagens diretas no Twitter. Para a senhora de idade, que quer enviar o primeiro e-mail, é uma oportunidade de renovar conceitos, pois antes ela só enviava cartas escritas à mão. Apesar das necessidades bem distintas, é em espaços como os telecentros onde se reúnem usuários dos mais diferentes níveis de conhecimento sobre computadores e internet.

Para mostrar o funcionamento desses locais que promovem a inclusão digital para alguns ou pesquisa e diversão para outros, o UOL Tecnologia visitou dois telecentros em regiões da cidade de São Paulo que figuram nas duas pontas do ranking de IDH-M (Índice de desenvolvimento humano municipal) da cidade. As unidades escolhidas foram o telecentro da Benedito Calixto (Pinheiros; entre os melhores IDH-M) e o telecentro de Parelheiros (extremo sul da capital; entre os piores IDH-M) (confira imagens do telecentro da Praça Benedito Calixto, em São Paulo).

Além dos índices de desenvolvimento, há dois aspectos em que os telecentros apresentam discrepância: a facilidade (ou dificuldade) de acesso e o tipo de público.

No caminho para chegar até o telecentro de Parelheiros (que fica no mesmo local da sede da subprefeitura) há vários locais pouco urbanizados e com muitas árvores. Parece uma viagem para o interior de São Paulo. Em comparação, no de Pinheiros, nenhuma novidade para o paulistano: muitos prédios e muito trânsito. Quanto aos freqüentadores, o primeiro local é “point” de jovens internautas, enquanto o segundo tem os aposentados como seu principal público.

Tirando as diferenças, ambos têm exatamente a mesma estrutura: contam com uma impressora e 20 estações thin clients (15 utilizadas para cursos e oficinas e o restante para uso livre). No dia da visita, em Pinheiros, três máquinas estavam desativadas, enquanto na de Parelheiros havia duas.

As visitas

Em Parelheiros, a reportagem do UOL Tecnologia não se identificou – fez a visita no dia 13 de agosto como se fosse um usuário convencional, e não um jornalista. Ao chegar lá, foi necessário apresentar o RG e comprovante de residência. Após poucos minutos, a atendente liberou a máquina que poderia ser usada por uma hora – caso não haja mais pessoas na fila, o uso pode ser prolongado.

O primeiro susto foi com a tela inicial do sistema, que não se parecia em nada com aquela vista diariamente: a maioria das unidades usa uma licença Linux como sistema operacional padrão. Mas, apesar das diferenças com a plataforma Windows, o ambiente gráfico se mostrou bem amigável. Na área de trabalho há os principais aplicativos utilizados. Há também um menu parecido com o “Iniciar” do Windows, que reúne outras aplicações próprias da distribuição, como calculadora e visualizador de imagens.

A suíte de escritório BrOffice (pacote equivalente ao Office, que reúne programas de edição de texto, planilhas, apresentação, etc) é pouco usada no mercado de trabalho. Porém, as interfaces dos programas — ao menos até a versão 2003 do Office – são bem parecidas. “Nas minhas explicações sempre falo como seria [o procedimento ensinado] no Windows”, conta o orientador Guilherme de Carvalho, 19, que trabalha no telecentro da Benedito Calixto. A visita identificada ao local foi realizada no dia 18 de agosto. Acompanhada de um fotógrafo, a reportagem entrevistou o monitor e também usuários da unidade.

Espetar um pendrive no thin client e ele não funcionar de primeira pode fazer com que você perca a paciência – e é algo que os usuários dos telecentros já devem esperar. Caso o sistema operacional não tenha reconhecido o pendrive, será necessário reiniciar a máquina. Modelos mais novos são executados e reconhecidos normalmente pelo sistema.

Nos telecentros, é possível imprimir documentos: cada pessoa tem uma cota de impressão de duas folhas por dia.

O que pode e o que não pode

Redes sociais como Twitter, Facebook e Orkut são liberadas. O Windows Live Messenger também, só que o acesso é feito por meio de uma versão para Linux do mensageiro chamada “emesene”. Na área de trabalho há até um ícone do Gaim, programa mensageiro multiprotocolo que suporta MSN, Yahoo, ICQ e outros. Porém, na unidade de Parelheiros, o software não funcionou.

Sites que contenham pornografia, aplicações em flash pesadas (comum em jogos online) e alguns sites de download – como o 4shared – são bloqueados. Mesmo assim, durante a visita, um usuário menor de idade jogava livremente alguns jogos online.

“Acessar o YouTube faz falta”, critica o estudante Leandro Augusto, 19, sobre o fato de o filtro da internet barrar sites de vídeo. Um dos poucos jovens freqüentadores vistos pela reportagem no telecentro da Praça Benedito Calixto, Augusto não tem PC em casa e vai todo dia acessar Orkut e MSN. “Minha irmã e meus amigos também vêm aqui. Quando o pessoal sai da escola vem direto para cá”, afirmou.

O orientador Guilherme de Carvalho explica que o acesso a vídeos é bloqueado, pois esse tipo de serviço consome muita banda, o que prejudicaria o desempenho da navegação na web.

Diferença de público

Os telecentros oferecem cursos e oficinas para qualquer pessoa interessada. No entanto, entre as unidades visitadas, foi possível notar uma diferença clara entre a faixa etária dos frequentadores. Enquanto na Benedito Calixto havia muitos aposentados, em Parelheiros a concentração maior é de adolescentes e jovens.“Eu não sabia mexer, eu era uma ‘analfabeta’ em computação”, comentou Gley Gusukuma, 55, dona de casa. Frequentadora do telecentro há mais de um ano, ela já fez os cursos básico (com conceitos essenciais para usar o PC) e o de internet (que ensina a fazer buscas). “Passo minhas tardes aqui. No início dava até dor de cabeça de tanto ficar em frente ao PC.”

Boa parte dos usuários com idade avançada de Pinheiros tem computador em casa. Eles não usam o equipamento, pois os filhos, geralmente, impedem ou não tem paciência para ensinar. “Não mexe que vai dar pau” é o que dizem os filhos da aposentada Therezinha Abrahão, 69. Gley também já ouviu conversa semelhante em casa. “Não deixam eu encostar no computador. Eles [meus filhos] têm um ciúmes…”.

Therezinha, que já trabalhou como pedagoga, gosta muito das atividades do telecentro e elogiou a forma como os monitores se portam durante as aulas. “Aqui vem gente de todo o nível de compreensão e de nível social. Eles [monitores] encontram um método bem didático para explicar.”

Outra usuária do telecentro, Cristiane Fernandes, 22, mesmo já tendo conhecimentos em computação comentou a atuação dos monitores. “Eles são educados e têm muita paciência com o público mais velho.”

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